Na obra “Des
(calçados)” - 2002/2012, dei início a uma série de sapatos modelados em argila e queimados
em diferentes processos. Captar a forma do pé deixado no sapato e então
representá-la na modelagem do barro. São curvas, relevos e depressões que tentam
a todo custo registrar um corpo; perpetuar uma presença e instigar a memória.
Para Rosalind Krauss, “não é só a capacidade de imitar o aspecto da carne em
vida, mas seu poder de personificar ideias e atitudes”. Neste caso, represento
o objeto que acomoda parte do corpo; mas que em suas curvas
modeladas, fazem com que o próprio pé seja percebido no vazio.
Apresentei-os
sobre a terra fina e vermelha, dando-lhes como apoio, o chão; que
sustentam nossos pés e nossas lembranças.

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