sexta-feira, 1 de junho de 2012



Em 2002, a obra “Ciranda” teve como finalidade primeira representar nossa
passagem pela vida e mais diretamente pela infância.
Uma caixa de vidro transparente medindo 40cm em cada face, guarda em seu interior um punhado de terra. Sobre a terra um sapato de criança repousa, branco. Branco na sua cor e na significação de pureza, de inocência, de paz. A cor branca do sapato contrasta com o vermelho da terra, mostra o chão, o retorno. Pelo lado de fora da caixa, na mesma altura onde se encontra o sapato sobre o monte de terra estão gravadas as palavras ausência e presença, na transparência do vidro em faces opostas. A técnica de gravação é o jato de areia onde se obtém um tom de branco fosco. Olhando pela lateral exterior da caixa, se vê como as palavras se misturam e se entrelaçam. 
O pequeno sapato branco deixa um passado de utilidade para ocupar um presente de significação. Sobre o monte de terra, ele informa algo, comunica fatos, conta histórias, ri, chora, grita e silencia.
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Participação na performance "O Vestido"






                                



"O Vestido" Idealização Juliana Capibaribe - http://julianacapibaribe.com

A obra "O Vestido" se propõe a convidar pessoas para compartilhar memórias a partir de peças de roupas que, costuradas compoem uma vestimenta repleta de lembranças e significados.
A intervenção acontece em dois momentos:
1 – Na Coleta de lembranças (em tecido): peça de roupa, de enxoval, de utilidade doméstica, guardada, usada, e que tenha algo de significativo, lembrança boa ou ruim.
2- No caminhar com o Vestido, pelas ruas, praças; costurando, reproduzindo em improviso as lembranças contadas e contidas em cada peça a partir da memória do contato com cada doador. 


Marcas da Noite




                                   

"Marcas da Noite" realizado em uma oficina ministrada no Recanto da Serra (Brumadinho, MG) pela artista e professora Giovanna Martins em fevereiro de 2008, propôs aos participantes pensar e agir sobre a paisagem local movidos pelas noções de deslocamento e de efemeridade presentes em algumas obras de artistas como Francis Alÿs, Ana Mendieta, Andy Goldsworthy, Roberth Smithson e Celeida Tostes, entre outros. Participantes da Oficina: Adel Souki / Aretuza Moura / Erli Fantini / Hélio Siqueira / Inês Antonini / Isabel Ferraz / Lucia Neves / Malu Giacomelli / Marlucia Temponi / Messias Mendes / Paulo Miranda / Vânia Barbosa.

Des (calçados)




Na obra “Des (calçados)” - 2002/2012, dei início a uma série de sapatos modelados em argila e queimados em diferentes processos. Captar a forma do pé deixado no sapato e então representá-la na modelagem do barro. São curvas, relevos e depressões que tentam a todo custo registrar um corpo; perpetuar uma presença e instigar a memória. Para Rosalind Krauss, “não é só a capacidade de imitar o aspecto da carne em vida, mas seu poder de personificar ideias e atitudes”. Neste caso, represento o objeto que acomoda parte do corpo; mas que em suas curvas modeladas, fazem com que o próprio pé seja percebido no vazio.
Apresentei-os sobre a terra fina e vermelha, dando-lhes como apoio, o chão; que sustentam  nossos pés e nossas lembranças.

A Cor do Caos




quarta-feira, 30 de maio de 2012

Memória do Passeio. Passeio da Memória




Tentando ler vestígios deixados pelo corpo, investiguei durante um evento de cerâmica em 2011 as marcas deixadas pelo caminhar humano. A possibilidade de ver marcas e registrar passagem me instigou. Um grande tapete de argila úmida com espessura de 1,5cm e dimensão de 2m x 1 m fez com que eu registrasse a passagem e garantisse tal registro por meio do tapete. De alguma forma eu tinha numa espécie de arquivo, o registro das pessoas que se aproximaram de mim, pois estas tinham que transpor o tapete para chegarem até onde eu estava. Uma forma de registrar a passagem das pessoas e tornar monumento o simples ato de caminhar. As pegadas ali deixadas de forma visível, nos remete ao burburinho das ruas das grandes cidades, no vaivém constante de transeuntes que passam apressados, deixando suas impressões e marcas. São as arquiteturas deixadas em qualquer lugar que possa ser percorrido pelo caminhar. O ato de caminhar já é em si uma mudança, um deslocamento, um movimento que, ao deixar marcas, sugere partidas e chegadas.

O caminho percorrido conta uma história. 



Desvio




 

Em “Desvio” (2012), quis tornar visível o ato de caminhar através de formas de terra. Caminhos, território percorrido, espaço de deslocamento. Caminhar, como instrumento de experiência urbana. Atentar para a experiência de andar pela cidade como ferramenta subjetiva e singular, levando-se em conta as camadas, ou seja, pensar o espaço percorrido como espaço de acúmulo de memória corporal. A impossibilidade do desvio.