Tentando ler vestígios deixados pelo corpo, investiguei durante um
evento de cerâmica em 2011 as marcas deixadas pelo caminhar humano. A
possibilidade de ver marcas e registrar passagem me instigou. Um
grande tapete de argila úmida com espessura de 1,5cm e dimensão de
2m x 1 m fez com que eu registrasse a passagem e garantisse tal
registro por meio do tapete. De alguma forma eu tinha numa espécie
de arquivo, o registro das pessoas que se aproximaram de mim, pois
estas tinham que transpor o tapete para chegarem até onde eu estava.
Uma forma de registrar a passagem das pessoas e tornar monumento o
simples ato de caminhar. As pegadas ali deixadas de forma visível,
nos remete ao burburinho das ruas das grandes cidades, no vaivém
constante de transeuntes que passam apressados, deixando suas
impressões e marcas. São as arquiteturas deixadas em qualquer lugar
que possa ser percorrido pelo caminhar. O ato de caminhar já é em
si uma mudança, um deslocamento, um movimento que, ao deixar marcas,
sugere partidas e chegadas.
O
caminho percorrido conta uma história.

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